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Introdução

     As serpentes são animais interessantes, podem causar tanto fascínio quanto repulsa. Muitas são as histórias criadas em torno delas, algumas através da interpretação errada de fatos observados ou de informações infundadas. Essas crenças populares dão uma dimensão irreal ao acidente ofídico, muitas vezes interferindo de forma negativa no convívio entre as pessoas e os animais. As serpentes são animais vertebrados que pertencem à classe dos répteis.  

    As serpentes estão incluídas na Ordem Squamata e compõem a Subordem Ophidia, são répteis de sangue frio, desprovido de membros e ectodérmicos, ou seja, dependem de uma fonte externa de calor para aquecer o corpo, geralmente com a exposição ao sol ou em contato com superfícies quentes, como rochas. São bastante próximos dos lagartos, com os quais partilham a ordem Squamata. Elas têm as mandíbulas inferiores e superiores diferentes e podem separá-las podendo engolir presas que superem o seu tamanho. No Brasil, a fauna de répteis consiste de 773 espécies, mais 46 subespécies, totalizando 819 táxons, divididos em Testudines (36 spp.), Crocodylia (6 spp.) e 731 Squamata (“Lagartos”, 266 spp.; Amphisbaenia, 73 spp.; e Serpentes, 392 spp.). Esses dados colocam o Brasil como o país detentor da 3ª maior riqueza de espécies de répteis do mundo, atrás da Austrália (1022) e do México (913) (Uetz e Hošek 2015) (Fonte SBH – dezembro/2015).

    As serpentes ocupam praticamente todos os ambientes disponíveis, desde os terrestres, subterrâneos e arbóreos, até as águas continentais e oceânicas com exceção das calotas polares que são muito frias e também das elevações das regiões montanhosas onde neva e também por causa da questão da temperatura elas não são encontradas

 

1 - Animais Peçonhentos x Animais venenosos

 

  • Peçonhentos: apresentam glândula produtora e armazenamento de substância tóxica, peçonha ou veneno e aparelho especializado para inoculá-lo.O envenenamento é ativo.

        Ex: Serpente surucucu, cascavel, aranha marrom...

 

  • Não peçonhento: não possuem dentes inoculadores de veneno. Apesar de não terem veneno, acidentes com este tipo de cobra podem causar sintomas incômodos como dor, vermelhidão, inchaço...

        Ex. Serpente sucuri, jiboia...

 

  • Venenosos: produzem uma substância tóxica, mas não apresentam aparelho especializado para inoculação. O envenenamento é passivo.

        Ex: sapo, taturana, alguns peixes...

 

 2 - Acidentes ofídicos

 

     Os acidentes ofídicos passaram a ter importância médica em virtude de sua grande frequência, gravidade e pelas complicações que podem ocorrer, principalmente pelo uso de práticas caseiras. Atualmente ocorrem cerca de 28.000 acidentes ofídicos no Brasil, apresentando uma letalidade de 0,4%.

     A maioria destes acidentes ocorre com trabalhadores rurais do sexo masculino com idade entre 15 a 49 anos e os membros inferiores são os mais atingidos. As serpentes só picam para se alimentar e se defender, normalmente as pessoas que não percebem a presença do animal e se aproximam dela, ocasionando a picada, elas não tem nenhum interesse em picar nós seres humanos.

 

ACIDENTES OFÍDICOS SEGUNDO O GÊNERO DAS SERPENTES

 

Bothrops (Jararaca) = 90,5%

Crotalus (Cascavel) = 7,7 %

Lachesis (Surucucu) = 1,4%

Micrurus (Coral) = 0,4%

 

     São quatro grupos de serpentes peçonhentas que podem causar acidentes ofídicos no Brasil:

 

Grupo I - Acidente Botrópico: Gênero Bothrops e Bothrocophias (conhecidas popularmente como jararacas, urutu-cruzeiro, cotiara, surucucu, caiçaca, boca-de-sapo).

 

Grupo II - Acidente Crotalíco: Gênero Crotalus (cascaveis)

 

Grupo III - Acidente Laquético - Gênero Lachesis (surucucu-pico-de-jaca, bico-de-jaca, surucutinga).

 

Grupo IV - Acidente Elapídico - Gênero Micrurus e Leptomicrurus (Corais verdadeiras).

 

3 - Tipos de dentição em serpentes

 

     Podemos classificar os dentes das serpentes em quatro categorias: áglifa, opistóglifa, proteróglifa e solenóglifa.

 

 

Áglifa (a = ausente; glifo = sulco, ranhura): 

   Todos os dentes são iguais e não tem estrutura para inoculação de veneno.  A função desses dentes é auxiliar na projeção do alimento para o interior da boca. As serpentes dessa categoria são as das famílias Boidae e Colubridade/Dipsadidae.

 

 Opistóglifa (opisto = posterior):

   Presença de presas fixas e reduzidas no fundo do maxilar, dessa maneira, é muito difícil de ocorrer um acidente com o ser humano. Dentro dessa série estão as famílias Colubridae e Atractaspididae.

 

 Proteróglifa (protero = anterior, dianteiro):

   Presença de presas fixas e reduzidas na parte da frente do maxilar. São serpentes que tem dificuldade para morder uma pessoa, pois sua boca é pequena. Destacam-se as serpentes da família Elapidae.

 

 Solenoglifa (soleno = canal, sulco):

   Presença de dentes grandes e móveis na parte superior da boca e capazes de projetar uma mordida de grande abertura no angulo de 90º graus no momento do bote. As presas ficam guardadas por uma membrana fina quando não estão em uso. Os representantes deste grupo são os membros da família Viperidae. 

 

QUADRO COM A AÇÃO DO VENENO NAS FAMÍLIAS DAS SERPENTES

 

 

4 - Origem das Cobras

 

     Várias questões sobre a evolução das cobras persistem há décadas: elas se originaram na terra ou nos oceanos? Por que elas não possuem membros?

     "Os ancestrais das serpentes eram lagartos. Não se sabe exatamente qual grupo de lagarto, mas se acredita que faça parte dos Iguania ou dos Anguimorphas", conta o pesquisador Sávio Stefanini Sant`Anna, do Instituto Butantan, em São Paulo. Embora existam teorias afirmando que esses ancestrais fossem animais aquáticos, atualmente a hipótese mais aceita no meio científico é que as primeiras serpentes teriam tido sua origem no meio terrestre, segundo o especialista.

     Ao longo de sua história evolutiva, esses bichos ainda foram capazes de se adaptar a meios aquáticos.

 

 5 - Primeiros socorros em acidentes ofídicos

 

  • Mantenha a vítima calma e em repouso.
  • Leve com urgência para o atendimento médico.
  • Se a picada for no membro este deve ficar esguido e estendido, para diminuir a circulação.
  • Evitar esforços físico, como correr, por exemplo.
  • Se possível, levar a serpente causadora do acidente para facilitar o diagnóstico ou simplesmente tentar tirar foto do animal.
  • Lavar o local da picada com água e sabão.

 

O QUE NÃO FAZER EM ACIDENTES OFÍDICOS

 

  • Não corte, fure, pois pode aumentar a chance de hemorragias e/ou infecção por bactérias.
  • Não amarre ou faça torniquete, porque pode aumentar a concentração do veneno no local.
  • Não dê bebidas alcoolicas.
  • Não chupe o local da picada.
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